Pediatria. Chegou o estágio que mais me aterrorizava, aquele que desde o início do meu curso disse que não iria gostar nem que iria conseguir fazer. Entrei neste estágio com muito medo e cheia de inseguranças. Principalmente porque se trata de crianças que estão doentes e a margem de erro é igual a zero! Este estágio está a ser um dos estágios mais desafiantes da minha vida, porque para além da criança tenho como cliente os pais. Pais esses que muitas vezes estão há semanas a viver no hospital, que abdicaram dos seus trabalhos, de tudo... O que dizer a uma mãe quando já não há nada a fazer? Como é que vamos lidar com sentimentos de culpa, medo, ansiedade, ...?
A ansiedade era tanta que no primeiro dia não consegui dormir, acordei de hora em hora aterrorizada com o dia seguinte. E foi sempre assim durante a primeira semana, por volta das 20h a ansiedade batia à porta e deixava-me KO. Sempre que me lembrava que tinha de voltar ao serviço e lidar com aquilo tudo e com procedimentos invasivos, preparação de medicação, situações urgentes que vão surgindo ficava paralisada. Não conseguia fazer nada, literalmente!
Passado umas semanas a ansiedade é diferente, ela ainda cá está mas só piora por volta das 22h. Continuo sem saber o que fazer com ela, mas, na maior parte das vezes, consigo abstrair-me e ir fazendo as minhas coisas como estudar medicação, patologias, procedimentos,... Sinto que desde que mergulhei neste mundo ainda não consegui levantar a cabeça para fora de água.
Estou basicamente a meio do meu estágio e posso confessar que apesar de tudo estou a gostar. Uns dias são melhores do que outros, mas penso que isso é normal. Só gostava que esta ansiedade passa-se e ficassem apenas os sentimentos bons que sinto quando estou a falar com os pais ou quando estou a brincar ou a comunicar com a criança.
Vamos andando, passos pequeninos de cada vez e com muita fé que tudo vá correr bem.
Inspira, expira, não pira!



