Na terceira semana de outubro visitei Estrasburgo pela primeira vez e apaixonei-me pela cidade. É uma cidade cheia de luz, vivacidade, arquitetura e história. É com muita tristeza que vejo esta cidade coberta de medo e que, nesta época do ano, as palavras associadas a Estrasburgo sejam terrorismo e horror.
Após o atentado, ouvi os meus pais e as suas críticas sobre viajar e o cuidado que devia ter em selecionar "este tipo de destinos". Em resposta eu disse: "Não!". Recuso-me a viver com medo. Claro que temos de ser prudentes e conscientes, mas este tipo de ataques são realidades que não conseguimos prever nem evitar. Infelizmente, França, ao longo destes últimos anos, tem sido muito afetada pelo terrorismo na Europa mas este tipo de atos podem ocorrer em qualquer cidade do mundo.
Podemos, felizmente, afirmar que Portugal, no que toca a este tema, é relativamente seguro mas a verdade é que não podemos anunciar que nunca irá acontecer no nosso país. E o que fazer? Não sair à rua? Ficar em casa com medo do que poderá acontecer no metro, ou numa rua mais movimentada da nossa própria cidade? Eu não considero que esse seja o caminho, sinto até que, ao render-me ao medo, estou de certa forma a contribuir para a sensação de alarme e terror que as pessoas que provocam estes ataques pretendem. Por isso, digo não ao medo, digo não à impossibilidade de viver a minha vida de forma plena.
E digo também que o meu coração está com Estrasburgo e todas as pessoas que viveram ou estão a viver este terror. Não consigo sequer imaginar o que sentiram ontem à noite e o que estão a sentir neste momento.


