
Tenho esta convicção que, em parte, somos o que fizeram de nós, principalmente enquanto éramos mais novos. Somos feitos de memórias, sentimentos, ideologias e pensamentos que ficam intrínsecos desde a mais tenra idade.
Desde pequena que não gosto de ter coisas favoritas porque tudo é volátil e modificável; tendo a perfeita noção que poderá demonstrar, também, uma certa dificuldade ou incapacidade de apego a essas mesmas coisas. A verdade é que, desde muito cedo, apresento esta dificuldade em categorizar os meus favoritos.
Quando tinha 10 anos odiava sopa de grão de bico. Depois da minha mãe descobrir, passei a comer sopa de grão de bico durante 2 semanas. Passado duas semanas pedi à minha mãe que me fizesse mais sopa. Tudo o que eu conhecia estava constantemente a ser alterado, ou era o sol que não ficava o dia todo ou as inconstantes estações que só permaneciam por alguns meses... Sempre senti que pouco sabia sobre as coisas para colocar logo um rótulo nelas.
Hoje, sei que não sei muito, mas também não sei assim tão pouco. Sei que a cor vermelha me lembra da minha avó, do carro da minha mãe, de flores num jardim, da bola de fogo que é o sol, do sangue que corre desenfreado dentro de mim, de cadeiras de cinema, de maçãs e de amor.
Hoje, sei que não sei muito, mas também não sei assim tão pouco. Sei que a cor vermelha me lembra da minha avó, do carro da minha mãe, de flores num jardim, da bola de fogo que é o sol, do sangue que corre desenfreado dentro de mim, de cadeiras de cinema, de maçãs e de amor.
Hoje sei que a minha cor favorita é o vermelho.






















