Desde que comecei a viajar e a conhecer novos lugares, que parece que existe uma ânsia de viajar dentro de mim que aumenta de dia para dia. Isto aplica-se em locais fora de Portugal, mas também cá dentro. Sinto que cada vez que conheço mais deste fantástico país, mais me apaixono. O fascinante é a panóplia de possibilidades quando falamos sobre viajar cá dentro.
Em conversa, em jeito de brincadeira com dois amigos surgiu a ideia de irmos visitar Drave, isto no seguimento de uma caminhada que fizemos anteriormente e que também irei publicar aqui no blog.
Há 4 anos atrás fui pela primeira vez a Drave num passeio realizado pela minha faculdade. Na altura fomos num dia em que estava a chover. Não estava um dilúvio mas aquela chuva miudinha que incomoda qualquer um, principalmente aquele que tem que caminhar por percursos de pedras pequenas que, com a água que caí, vai escorregando. Recordo-me de pouco, apenas trechos do caminho e como foi complicado devido à chuva. Lembro-me ainda que a meio do percurso abriu o sol, que nos ofereceu uma vista absolutamente fantástica. Não sei a razão pela a qual não me recordar do caminho completo mas, a verdade, é que não tivemos muito tempo para explorar a aldeia devido às condições climatéricas.
Acho que foi por essas mesmas razões que aceitei logo a ideia e enveredei nesta louca aventura. A decisão foi tomada com muito pouco tempo para pensar e ainda bem que assim foi. Combinamos um ponto de encontro, uma hora e lá fomos nós.
Depois de alguma pesquisa, percebemos que só poderíamos ir de carro até Regoufe, pois a aldeia de Drave não é transitável. Deixamos o carro no início de Regoufe, comemos uma banana, colocamos os chapéus, as mochilas nas costas e começamos!
Percorremos as ruas estreitas de Regoufe sempre a descer até às últimas casas. Ao longo do caminho existem placas informativas que nos indicavam a direção para Drave. Até que chegamos a uma ribeira com uma ponte e soubemos que estávamos no caminho correto pois, na pesquisa prévia que tínhamos feito, lemos sobre esta ponte.
Logo de início deparamos-nos com uma subida daquelas! Uma subida íngreme cheia de pedras pequenas. Foi o nosso primeiro de muitos desafios. O percurso proposto são cerca de 9 km (4,5 km ida e 4,5 km volta), a minha maior dificuldade foi mesmo as caraterísticas do terreno. Tive constantemente de olhar para o chão para analisar muito bem onde é que tinha de colocar os pés.
Depois daquela subida o caminho descomplica um pouco, principalmente porque começamos a ter vistas de montanhas e vales maravilhosos. É o encontro entre a terra e o céu. Estando no topo de uma montanha parece que as nuvens estão mais perto, parece que consigo tocar-lhes, é tão bom!
Não tínhamos mapas e isso foi algo que me assustou, confesso, porque apesar de já ter ido a Drave, fui com um grupo enorme e a última coisa em que estava preocupada era aprender o percurso. Tinha medo de me perder porque não existe rede em maior parte do caminho mas isso não aconteceu graças à sinalização que foi existindo ao longo do percurso.
Para além das marcas amarelas e vermelhas nas pedras ou árvores, também existem pistas desenhadas no próprio caminho, como esta gigante seta feita de pedras. O caminho é bastante intuitivo, diria até, que é muito improvável de alguém se perder.
Ao longo do percurso, para além da belíssima paisagem, encontramos um rebanho de cabras. É fascinante vê-las a subir os montes, pareciam ter super poderes!
Este caminho é denominado como P14, fazendo parte dos percursos do Geoparque da Arouca. Depois de muito dar à sola, conseguimos chegar a Drave, foram aproximadamente 3 horas a andar que valeram completamente o esforço.
Resolvemos explorar a aldeia mágica e, de seguida, como a barriga já reclamava, decidmos procurar, na zona ribeirinha, um local para almoçarmos. As lagoas existentes em Drave resultam da confluência da Ribeira de Palhais e da Ribeira da Bouça. Estas lagoas são autênticas "piscinas naturais", sendo que tiveram uma "ajudinha" do homem, que escavou na rocha uma espécie de poços, onde a água se vai acumulando.
Claro que não resistimos e demos um belo de um mergulho, até porque estava um calor abrasador!
O meu maior conselho para quem quer fazer esta caminhada é levar comida, muita água e, mesmo assim, irem calculando e guardando ao longo do percurso. O caminho de volta é mais desafiante, porque para além de ser constituído por bastantes subidas; mesmo a chegar ao fim vão-se deparar com a mais íngreme. Não posso dizer que tenha sido fácil, ainda por cima éramos três pessoas a rentabilizar água. Cada um levou cerca de 1 litro de água, que foi claramente insuficiente. Não queríamos ir muito pesados e também pensávamos que esta quantidade de água bastava, mas não.
Para além da água, vão comendo ao longo do percurso. Como íamos na conversa, a tirar fotografias ou a contemplar a paisagem, esqueci-me de comer as vezes necessárias e, por isso, tivemos de parar antes de chegarmos a Drave para comermos um bocado do almoço. Devido àquele calor todo, à falta de hidratação e de nutrientes, comecei a ver os meus amigos à roda e, por isso, aquela pausa foi essêncial.
Entendo perfeitamente porque intitulam Drave como a "aldeia mágica", parece que sempre que lá vou a magia permanece e consigo descobrir lugares e coisas novas. Gostava de um dia lá voltar, sinto que ainda existem novas descobertas para fazer nesta pequena gigante aldeia.
E vocês? Já conhecem Drave? Contem-me a vossa experiência!
todas as fotografias foram tiradas por mim
excepto aquelas em que eu apareço














































